The Vamps no Brasil: Muito mais do que um show (Entrevista: Nathália)

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1-Qual foi sua reação no primeiro momento que soube do show no Brasil, em São Paulo?
“Maluca. Imagine a seguinte situação: Você em uma biblioteca, pesquisando sobre um show de uma banda que você ama, e você cai da cadeira, literalmente, quando descobre que eles virão para o seu país. Bom, foi exatamente o que aconteceu. Eu entrava, praticamente, todos os dias nos sites do fandom para ver se tinha alguma noticia de que eles viriam ou não para o Brasil. (Eu não tinha twitter nessa época, se não minha vida teria sido muito mais fácil). Depois de todos rirem da minha cara por ter caído da cadeira, e ter saído da biblioteca com a bunda doendo, eu surtei. Chorei como uma condenada.”

2-O que você fez para se preparar?
“Minha história é um pouco longa. Meus pais odeiam qualquer coisa que esteja ligado ao mundo e não a igreja. Antes de qualquer coisa, não quero criticar qualquer religião, ou qualquer pai e mãe que se identifique com os meus. Mas, acho uma injustiça não quererem deixar um filho ir a um simples show de uma banda de “menininha” (Pois isso era o que eu ouvia todas as vezes que dizia querer ir ao show dos meninos). Depois de muito esforço e persistência, convenci meus pais de me deixarem ir ao show. Mas com uma condição: Minha tia (salvadora da pátria) teria que ir comigo, isso se ela topasse e se eu pagasse os nossos ingressos. Fase um: Convencer meus pais – Concluída. Fase dois: Convencer minha tia: Concluída. Fase três: Conseguir dinheiro para nossos ingressos: Fracasso total. Eu não tinha um real para ir ao show. A única coisa que eu tinha eram umas revistas e HQ’S que eu colecionava. Bingo. Todas elas foram parar na OLX, assim como roupas que não usava mais, pertences velhos, e umas coisas mais. Isso me gerou um dinheiro, mas não o suficiente para comprar dois ingressos. Foi quando o Vamily sorteou dois ingressos para quem escrevesse um texto, falando o porquê merecia ir ao show. Para minha sorte, eu fui uma das ganhadoras, e com o dinheiro que tinha juntado, comprei o ingresso da minha tia. Vamily, devo tudo a vocês!!! (E a OLX também =D).”

3- Quais foram os estágios da ansiedade? Seja sincera! 
“Eu praticamente contava os dias nos dedos. Como não tinha certeza de que iria ao show, pois só consegui os ingressos um mês antes do mesmo acontecer, eu estava entrando num estagio de desespero. Chorava todas as noites assistindo aos vídeos da turnê, me lamentando por não conseguir economizar mais do que gostaria. Okay, fui muito dramática nessa época, e hoje rio de muitas brigas minhas que tive com meus pais. Uma coisa que aprendi com isso tudo é que devemos sempre persistir naquilo que queremos, mas nunca, NUNCA, fazer tempestade em copo d’agua, culpando os outros pela sua incapacidade. Se eu tivesse juntado dinheiro antes, e não deixado por ultima hora, teria evitado muita dor de cabeça e muitas brigas. “

4- Como foi sua ida até São Paulo (se for o caso)/ Tom Brasil? 
“Bem calma, na verdade. Como minha tia estava comigo, eu não tinha ninguém pra surtar comigo. Eu tenho certeza de que se tivesse uma fã ali do meu lado, eu teria pirado. Por culpa dela (minha tia) saímos muito tarde de casa. Levamos em torno de 3 horas para chegar ao local do show, e quando chegamos, faltava apenas 20 minutos para a entrada do pessoal. Minha sorte é que encontrei uma amiga, que já havia combinado de me encontrar na fila, e tive que pular a grade para entrar. Sim, me desculpem, mas não tinha jeito. Eu não ia ficar sem ninguém que eu conhecia num show da banda que eu amo neh.. (minha tia não conta, ela não é fã. Sorry tia, te amo)”

5- Foi em algum evento especial da banda no Brasil? Se sim, como foi? 
“Não. Como meus pais não gostavam de nada disso, e nem queria que eu fosse ao show, não me deixaram ir a nenhum evento por pura implicância. Vejam bem, pais que estão lendo isso aqui: DEIXEM SEUS FILHOS REALIZAREM SEUS SONHOS. Eu sei que parece estupido. Eu sei que parece desnecessário. E eu sei que parece um pouco perigoso. Mas por que, ao invés de proibi-los, não os acompanham? Seria tudo mais simples. Eles não correriam perigo, e você poderia vigia-los a qualquer momento. AGORA PARA VOCÊS FILHOS REBELDES: Deixem seus pais te acompanhar nesses momentos. Eu sei que fazer as coisas ao lado de pai e mãe é chato. Eu sei, também sou adolescente. Mas imaginem: Além de te proteger e estar ali do seu lado num momento inesquecível, eles vão ter a chance de compreender o porquê de aquilo ser tão importante para você. (E outra, eles podem confiar de te deixar ir sozinho (a) da próxima vez. Fica a dica ;) ).”

6- Conte como foi a grande experiência do show! 
“Inesquecível. Incrível. Surpreendente. Nunca vivi algo igual. Sempre que falava “Ah, eu quero ir no show do The Vamps” a pessoa olhava pra minha cara confusa e ficava tipo “Que, tá doida?? Você mal sai de casa”. Era literalmente assim. Até eu me perguntava o que tava fazendo, por que eu realmente odeio sair de casa. Mas, hoje eu não me arrependo nem um segundo. Embora eu odeie festas, eu amo musica como se ela fosse uma parte da minha alma. A música sempre se fez presente em mim, e naquele dia, eu realmente sentir o que eu precisava para compreender, para entender que era aquilo o que eu queria pra minha vida. Que era ali que eu queria estar um dia e que era aquela sensação que eu queria sentir para o resto da minha vida. Era como se a musica inundasse dentro de mim, e me fizesse tremer dos pés a cabeça. A cada batida, a cada pulo, era como se meu corpo explodisse em uma felicidade sem tamanho. Com o show, eu pude descobrir quem eu realmente era. Não privem seus filhos disso, nunca. Deixem que se descubram. Seja com a musica, seja com o teatro, dança, leitura, qualquer coisa. Não os privem, deixem que se sintam livres para que possam sentir o que eu senti. Para que se descubram e digam para si mesmos: é isso que eu quero ser.”

7- Ao sair do Tom Brasil, qual foi o sentimento? 
“Só para constar, no dia do show, conheci três pessoas maravilhosas. Tais pessoas que, quando o show acabou, sentaram comigo na grade onde estávamos, e choraram. Não sei o que se passava na cabeça dessas três pessoas maravilhosas, mas na minha passou tudo, exatamente tudo, o que me custou para estar ali. Todos os dias em que chorei, todos os dias em que surtei, tudo, tudo mesmo. E me repeti, ali em silencio na grade fria: VALEU A PENA. Valeu a pena me dedicar para estar ali, valeu a pena brigar com meus pais, valeu a pena lutar por um sonho que todos diziam que era estupido. Valeu a pena, e vai continuar valendo. Hoje eu assisto aos vídeos do show e fico pensando: E se eu tivesse caído na conversa dos outros e não tivesse lutado para realizar aquele sonho? Eu não teria me realizado. Não teria descoberto o verdadeiro valor do dinheiro. Não teria sentido a sensação de: Caramba, eu consegui. E com certeza não teria conhecido as três pessoas maravilhosas que hoje são minhas BFF’S. Se valeu a pena? Valeu a galinha inteira.”

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