The Vamps no Brasil: Muito mais do que um show (Entrevista: Beatriz)

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1- Qual foi sua reação no primeiro momento que soube do show no Brasil, em São Paulo? 

“Quando a notícia saiu, lembro que eu estava na mesa do meu quarto mexendo no computador, provavelmente eu deveria estar fazendo trabalho da faculdade, mas estava no Twitter… Lembro que não acreditei no que todo mundo estava falando, e também não acreditei nas fotos (juro que achei que era zueira ou algo assim), quando eu vi no Twitter da banda também não acreditei! Eu realmente não estava achando que era real, o Joe já havia falado que viria em Janeiro, depois que iria ser mais pra frente, e parecia que não ia dar certo então eu estava desacreditada! Demorou um pouco, mas quando eu acreditei começou um sentimento de felicidade misturado com tanta outras coisas no meu coração, a incerteza de não ir porque eu havia me mudado pra Curitiba havia apenas 2 meses e meu pai não me deixaria ir sozinha até São Paulo, mesmo eu já tendo 18 anos (no show eu tinha 19 anos já) e ele ter confiança em mim, como ele sempre diz, a falta de confiança que ele tem é em relação aos outros.”

2- O que você fez para se preparar? 

“Para conseguir ir ao show eu teria que ir cumprindo várias etapas. O dinheiro eu já tinha do presente que as minhas avós haviam me dado de aniversário e eu não havia gasto, mas eu simplesmente não conhecia ninguém em Curitiba, com quem eu iria? Foi então que eu entrei no Twitter e comecei a conversar com duas pessoas conhecidas minhas pela internet que moram na cidade, mas eu não conhecia pessoalmente. Primeiro falei com a até então conhecida/colega de fandom Anna (sim, uma das adms desse primeiramente maravilhoso projeto e agora maravilhoso fansite Vamily Brasil), ela disse que iria sim, iria com a mãe, já tinha data de ida e etc. só que por causa da faculdade eu não poderia ir alguns dias antes como ela iria, mas agradeci e deixei essa ideia viva. Depois falei com a minha amiga Ceci, já nos falavamos a muito tempo pelo Twitter, e ela disse que com toda a certeza faria de tudo para ir (e ela também tinha o problema de não poder ir antes por causa da faculdade) e então deu a ideia de que poderíamos alugar um van, mas eramos só nós duas até então, foi quando o Twitter ajudou novamente! Pedimos ajuda pros fansites para divulgar que iríamos alugar uma van de Curitiba à São Paulo, um vai e volta vem simples, para o show e conforme o tempo foi passando as meninas foram aparecendo e se interessando, algumas confirmavam e nossa esperança ia crescendo. No fim conseguimos juntar 10 pessoas (9 meninas e um irmão guerreiro que iria só para fazer companhia a irmã, e também como o responsável dela). No meio disso tudo teve o dia de comprar o ingresso, meu coração estava a mil, eu não lembro exatamente o porque, mas eu estava na casa dos meus pais aquele dia, não em Curitiba, e lá a internet é péssima e até então eu não tinha convencido meu pai de me deixar ir para São Paulo com uma amiga que eu não conhecia pessoalmente, mas minha avó disse que daria o ingresso de presente para mim, e com o passar dos meses eu o convenceria. Foi exatamente o que aconteceu! Ele foi entendendo que eu iria de qualquer maneira, que eu tinha responsabilidade o suficiente e minha tia que mora na cidade disse que qualquer coisa iria até o local, pois conhecia o lá! Nunca fiquei tão desesperada de não ir a um lugar, era meu sonho poder conhecer os meninos e vê-los performar ao vivo, então quando meu pai concordou com tudo e minha mãe, que desde o começo me apoiou, convenceu ele 100% de que tudo daria certo meu coração ficou mais leve e eu foquei apenas na ansiedade e contagem dos dias para o show.”

3- Quais foram os estágios da ansiedade? Seja sincera! 

“A ansiedade sempre foi grande, desde o primeiro dia, até os últimos segundos antes do show de abertura. Claro que era bem maior antes da confirmação final do meu pai que eu poderia ir ao show, por não ter a certeza de que eu iria e tudo mais. Ah, e com certeza ela aumentou novamente quando deu certeza que o show de abertura era o The Tide, eu como vampette e tider não sabia nem como reagir! Realizar o sonho de ver duas bandas que eu amo no mesmo dia?! Era surreal! Meu amigo todas as semanas perguntava “e ai, como ta a ansiedade?” e eu dizia que estava enorme, mas era tão enorme que eu não conseguia reagir, porque mesmo eu com o ingresso, a van, a viagem tudo certo, ainda não me parecia algo que fosse realmente acontecer.”

4- Como foi sua ida até São Paulo (se for o caso)/ Tom Brasil? 

“No dia anterior ao show, que estava marcada a nossa saída de Curitiba de noite, eu ainda não estava com todas as minhas coisas prontas, porque ainda não tinha acendido a luz na minha cabeça que o grande dia era o dia seguinte! Terminei de arrumar minhas coisas super em cima da hora e peguei um táxi para o nosso ponto de encontro (que foi dentro de um shopping, pois é mais seguro e como um dia normal em Curitiba estava chovendo). Chegando lá, me sentindo uma mochileira por estar cheia das coisas, me encontrei com todo mundo finalmente, apenas uma das meninas eu conheci antes por ela trabalhar perto do apartamento em que moro! Foi super engraçado encontrar elas, porque entrei na conversa como se nós já fossemos amigas a décadas, e não, apenas havíamos nos falado pelo whatsapp a alguns meses. Quando deu o horário e fomos para a van eu e mais duas amigas (já era todo mundo velho conhecido ali agora) tivemos a brilhante ideia de ir no fundão, porque iriamos ficar acordadas e cantar, só que o último banco não inclina, então não façam isso com a vida e a coluna de vocês, sentem na frente e façam a bagunça lá!!! Enfim, ficamos mesmo cantando e dançando (e mantendo a van acordada junto) até a primeira parada, depois resolvemos que iriamos dormir, pois se não morreriamos no show, não foi a minha melhor noite de sono, foi péssima na verdade, mas deu para dar uma leve descansada. Chegando eu São Paulo eu acordei e fiquei em silêncio, apenas observando aquelas ruas pelas quais nunca havia nem chegado perto, até chegar no Tom Brasil. Quando a van estacionou, eu inocentemente achei que só eu estava acordada, até que todas as meninas começaram a se sentar e abrir a cortina, então fiz o mesmo, foi quando minha ansiedade começou a bater na minha garganta novamente, pois enxerguei a placa com o nome dos meninos! Descemos da van correndo, e fomos tirar fotos e ver onde seriam as filas, detalhe que eram 4 horas da manhã, estava escuro, frio e chovendo ainda. Quando pulamos a grade para entrar no lugar coberto (o segurança permitiu isso ok?) Percebemos que já havia 4 pessoas, elas estavam ali desde a meia noite, tinham ido nos meets e no hotel, e haviam acabado de conseguir dormir quando chegamos… Ficamos ali até o dia amanhecer e fomos para o pequeno pedaço coberto que havia no começo da entrada para a pista vip, eu era a 6 da fila, mal podia acreditar que tudo estava acontecendo.”

5- Foi em algum evento especial da banda no Brasil? Se sim, como foi? 

“Infelizmente não fomos ao hotel ou nos meets que tiveram, pois os meets foram dias antes, e o hotel não era perto para sairmos de lá e voltar, não possuíamos dinheiro para isso e o motorista da van iria dormir para poder dirigir de noite novamente. Conseguirmos ir na dos meninos do The Tide, o que para mim foi maravilhoso, sai de lá pulando igual uma doida e tremendo, é um sentimento tão estranho ver aquelas pessoas que você só via por foto/vídeo ao vivo.”

6- Conte como foi a grande experiência do show! 

“Bom, ficar na fila das 4 da manhã até as 6 horas da tarde não foi fácil, a chuva, frio e sono estava me deixando em um estado de vegetação. Eu mal falava, comia e ia no banheiro, essa era a minha vida ali. Eu só fui acordar mesmo depois do M&G do The Tide! Me encontrei com a Anna e a mãe dela (duas fofas e super queridas) pela segunda vez, já tava tratando como amigas de infância, fiz amizades na fila, nos pintamos com umas tintas neon, me tornei a moça do tempo no Tom Brasil para algumas amigas que chegariam mais tarde e pirei quando comecei a ouvir a passagem de som das duas bandas e os berros das meninas do M&G da The Vamps, que aconteceu na mesma sala que a da The Tide, mas em configurações diferentes e em horários diferentes. Quando o segurança veio nos dizer para nos organizarmos que estava a hora de abrir as portas nós quase surtamos e nos arrumamos pelos números que haviamos marcado em nossas mãos, minhas pernas já estavam doendo, e meus pés não tinham uma posição confortável para ficar. Quando as portas se abriram fomos entrando, eram duas pessoas para passar os ingressos, e o meu deu uma enguiçou, ele não passava, a moça arrancou todos os picotes existentes no meu ingresso antes de me devolver e eu correr, controladamente, até o espaço em frente ao microfone do James, onde havia combinado com as meninas na fila que ficaríamos e também estava mais vazio por ser mais distante da porta de entrada. Eu mal podia acreditar que estava ali, o microfone estava muito perto, eu estava muito perto, havia apenas 3 pessoas na minha frente, eu mal podia conter meu sorriso em ver The Vamps nas caixas de som. Meus pés e pernas que estavam doendo simplesmente sararam quando o show do The Tide começou, a galera toda se empurrou para a frente, muitas vezes eu pulava porque as pessoas a minha volta estavam pulando, eu me movimentava conforme as pessoas se movimentavam, tentando tirar fotos e gravar mini vídeos. Gritava as musicas como se não houvesse o amanhã, fiz mais exercício ali do que eu já fiz juntando todos os anos da minha vida! Quando o show acabou eu estava suada, nojenta, mas feliz, foi muito rápida para o meu gosto, mas amei e amei e iria de novo e amei mais e mais. Uma pena que com o empurra empurra todo (minha amiga que estava do meu lado direito depois do show estava do lado esquerdo e com umas duas pessoas entre nós, não me perguntem como aconteceu porque não sei) as grades que separavam a pista vip do palco começaram a ceder e tiveram que arrumar, mas muitas pessoas não cooperavam, um moço que estava no palco pedia para a galera se afastar e a maioria fazia cara de to nem ai, houve até um momento totalmente desrespeitoso e horrível quando uma menina que disse que seria perigoso se a grade caisse, pois nós que estavamos mais a frente nos machucariamos feio teve a resposta totalmente mal educada de um menino dizendo que havíamos comprado a vip já sabendo que seria o empurra empurra, e que se a gente caisse ele enterrava! Todo mundo que estava na frente dele começou a berrar com ele, mas mesmo assim ele ainda se achava no direito, até o moço do palco falar diretamente com ele e o infeliz rapaz obedecer. Tirando esse momento tenso e desnecessário desrespeito tudo foi resolvido e seguimos em paz até o começo do show da The Vamps, que foi simplesmente maravilhoso! Ver o James na minha frente com a camisa do Brasil era inacreditável, berrei cantando todas as músicas e tava me sentindo o Brad de tanto que eu pulava e suava. Apesar de ficar do lado do James conseguia visualizar bem até o Connor, que veio algumas vezes para o nosso lado, e graças a Deus Brad anda aquele palco inteiro, porque ele praticamente estava morando daquele lado do palco, cantava e rebolava na nossa frente e saia rindo, subia nas caixas de som, abraçava James, interagia com a plateia. Erramos diversas vezes as intros das músicas, o momento Tradley em Volcano foi na minha frente, Brad jogou água na platéia, e as surpresas deram super certo durante o show. Quando o Brad desceu do palco eu fui obrigada pela massa de pessoas a avançar na direção dele, não cheguei nem perto, mas fui né. Quando foi Stolen Moments eu não aguentei e chorei, eu sabia que estava acabando, e o James estava interpretando a música de uma maneira que ele parecia estar sentindo muito aquele momento, foi inesquecível. Com Wake Up eu apenas conclui o meu desmoronamento, eu mal conseguia berrar porque chorava, o que me resultou em uma rouquidão pós show maravilhosa, e uma desidratação que eu tomei duas garrafas de água sozinha! No fim do show, quando estávamos sentadas no chão, com algumas meninas mostrando as palhetas ou baqueta que pegaram (no meu caso não peguei nenhuma porque eu via o James jogar, a palheta subir e para mim nunca descia, porque a luz me fazia perder ela de vista) eu me levantei para comprar as águas e escutei alguém falando “Bia?” quando olhei era a Letícia, uma amiga que fiz porque ela lia as minhas fanfics e se mudou para a minha cidade natal quando eu me mudei para Curitiba! Nós havíamos marcado de nos encontrar na fila, mas ela chegou tarde e acabamos nos desencontrando, encontrar ela naquele estado destruida foi ótimo, nos abraçamos e lá tava eu berrando de novo, mas porque no caso estava rouca. Não havia surpresa melhor para aquele fim de show!”

7- Ao sair do Tom Brasil, qual foi o sentimento? 

“Quando saímos do Tom Brasil eu ainda estava me sentido em um sonho, olhava para tudo e não parecia real, eu não poderia estar mais feliz com todos os ocorridos e coincidências. Quando sentei no meu cantinho da van, todo mundo ficou em silêncio e escuro Coming Home veio na minha cabeça, tanto por eu estar voltando pra casa como os meninos também estavam, aquilo me deu momentaneamente uma dor no coração, por saber que tudo tinha acabado, mas depois veio o sentimento de gratidão por cada momento vivido naquele dia, mandei mensagem de voz para todo mundo para mostrar minha rouquidão maravilhosa, me desculpei por não encontrar uma amiga e finalmente fui me arrumar para dormir. Estava cheia de dor, fedida, suada e completamente destruída, mas valeu a pena cada segundo de dor, problemas e tudo mais, foi maravilhoso e eu faria tudo de novo!”

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